quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Nome do Outro. Narrando a Alteridade na Cultura e na Educação

A leitura deste texto me impressionou bastante. E, até por isso, não pude evitar que a reflexão sobre o mesmo me levasse diretamente a uma reflexão de Carl Sagan, da qual eu particularmente gosto imensamente. Numa conferência, em 11 de Maio de 1996, Carl Sagan falou dos seus pensamentos sobre uma histórica fotografia feita pela sonda Voyager 1, na qual se pode ver o planeta Terra; um minúsculo ponto, distante 6.4 bilhões de quilômetros, no meio de um raio solar.
Aqui a fala de Sagan:

A Terra é um minúsculo ponto, distante 6.4 bilhões de quilômetros, no meio de um raio solar, circulado em azul

"Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um dos que escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu a sua vida aqui. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores dalgum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde a nossa espécie puder emigrar. Visitar, pôde. Assentar-se, ainda não. Gostarmos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar. Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade.

Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido."

Vale muito a pena ver o vídeo:


Um comentário:

  1. Aaah, eu também sou apaixonada por ele, mesmo o conhecendo apenas apor meio desse trabalho. Devo confessar que, lendo o texto, também pensei nesse vídeo. Estou com o livro - de onde saiu o vídeo - emprestado. O conteúdo é, simplesmente, incrível... já vi inúmeras vezes e, a cada vez, sempre penso algo novo.
    essa frase "Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros (...)" isso fala muito, e quase grita!
    Acho que a Educação é um trabalho, por muitos, desvalorizado, mas que sem dúvida alguma pensa a vida quando direciona o mundo a esse princípio tão bem pontuado por Sagan.

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